Duas rodas
Felipe Lobo • 4 de junho de 2008 • Categoria: LongasNo século XIX, quando a bicicleta já estava madura e começou a se propagar, ela era um veículo para poucos, caro, veloz, seguro, confiável, um símbolo de poder e status. Apenas os nobres tinham condição para adquirí-las e era comum desfilarem orgulhosos em seus possantes veículos.
Com os avanços da indústria e as produções em série, elas se tornaram cada vez mais baratas e muito populares. Na virada para o século XX, elas já eram milhões na Europa e se tornavam o veículo preferido das classes operárias. Esta era a época em que o carro estava amadurecendo, veículo para poucos, veloz, seguro, confiável, um símbolo de poder e status. Apenas os mais ricos tinham condição aquisitiva para adquirí-los e era comum desfilarem orgulhosos em seus possantes veículos.
Com a modernização da indústria e a chegada das linhas de montagem, o preço dos carros foi caindo e os mesmos se tornaram cada vez mais populares. Hoje, todos querem ter um – o veículo para poucos, veloz, seguro, confiável, símbolo de poder e status. É muito comum ver pessoas por aí desfilando orgulhosos em suas máquinas.
E as bicicletas foram perdendo seu espaço nas ruas, as pessoas também. As cidades foram se transformando para dar lugar ao “progresso” que o carro representava.
Com isso a cidade parou, engarrafamentos constantes, poluição atmosférica, acidentes de trânsito, aumento do stress, sedentarismo e conseqüente queda da qualidade de vida.
E a bicicleta ressurge como elemento renovador, uma esperança para a re-humanização das cidades em todos os continentes. Ela, hoje, vem se firmando como excelente meio de transporte, para diferentes situações e distâncias. Bicicletas de carga, transporte de passageiros e até mesmo bicicletas públicas têm mudado o tom com o qual a bicicleta era vista durante a segunda metade do século XX.
Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, caminho pelo qual o Brasil está pedalando bem. Somos o terceiro produtor mundial e quinto consumidor, produzimos e vendemos aproximadamente cinco milhões de bicicletas por ano, o que nos torna auto-suficientes não apenas em petróleo, mas também em uma frota de bicicletas duas vezes maior que a de automóveis.
A bicicleta ajuda na solução de vários males como engarrafamentos, obesidade, stress, agravamento do efeito estufa, emissão de gases poluentes, má ocupação do espaço público e por aí vai. De bicicleta, chegaremos lá.
Para conhecer um pouco a história física da bicicleta, clique aqui.
* Zé Lobo é Presidente da Associação Transporte Ativo, membro da Comissão de Bicicletas da ANTP e do Grupo de Planejamento Cicloviário da Cidade do Rio de Janeiro. É também representante da ONG holandesa I-Ce no Brasil.
Felipe Lobo é repórter do site O Eco, uma excelente agência de notícias ecológicas. Sem exagero! Uma de suas últimas descobertas foi a possibilidade de conciliar os costumes da cidade grande e o cuidado diário com as boas ações em favor da natureza. Que felicidade.
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