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Breve balanço de COP-15

Felipe Lobo, 17 de dezembro de 2009.

Felipe Lobo

A 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-15), que acontece em Copenhague,  está próxima do fim. Dentro de dois dias, os jornalistas, manifestantes e negociadores voltam para suas casas. Muito provavelmente, com o gosto amargo do fracasso nas bocas. Até agora, o que se viu no Bella Center (local onde ocorre o evento) e nas ruas da fria Dinamarca foram centenas de manifestações, milhares de presos, diversos esboços de acordos e, principalmente, muitas dúvidas.

Em todos os sentidos. No dia 11 de dezembro, o primeiro relatório oficial redigido pelos representantes dos mais de cem países presentes trazia o REDD (Redução das Emissões para Desmatamento e Degradação) como um mecanismo de mitigação. Neste caso, portanto, ele se tornava passível de financiamentos a partir de fundos alimentados pelos desenvolvidos – historicamente mais responsáveis pelas mudanças climáticas em virtude da participação direta na Revolução Industrial e demais novidades que seguiram.

Matéria do site O Eco mostra que, de acordo com Richard Betts, diretor de impactos climáticos do Centro Hadley de Meteorologia do Reino Unido, a destruição de florestas tropicais emite entre 41 e 134 partes por milhão (PPM) de carbono ao ano. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, é necessário reduzir entre 50% e 85%, até 2050, do valor total de lançamento de gases estufa (GEEs) em 1990, ano-base do Protocolo de Quioto. Só assim o aumento da temperatura se acomodaria algo em torno de 2º a 2,4º C – número considerado, pelos cientistas, o ideal, dentro do atual quadro.

Até nisto, porém, o consenso não existe. O grupo de pequenas ilhas do Pacífico, composta por membros como Tuvalu, e nações africanas pedem que o acréscimo na temperatura média do planeta não passe de 1,5º C. Caso contrário, seus futuros estariam traçados – e seriam os piores possíveis, com submersão de territórios, secas prolongadas, escassez de água e desertificação. O problema é que sequer os emergentes, como China, Índia e Brasil, apoiaram a posição dos mais pobres e vulneráveis.

O fracasso dos negociadores é claro. Eles, simplesmente, não conseguem enxergar a verdade explícita pelos seus próprios cientistas: a crise é grave, sem precedentes e, caso não hajamos com rigor, desde já, o impasse se tornará incontrolável. Os efeitos do aquecimento global já são sentidos em diversas partes do globo, principalmente as regiões com menor estrutura e capital para adaptação. Ao que parece, porém, os tomadores de decisões continuam cegos e não veem a ruptura civilizatória.

Os Estados Unidos, por exemplo, mantiveram a posição de reduzir, até 2020, 17% em relação às emissões de 2005. O número é ínfimo e beira o ridículo. Quioto, com suas metas simbólicas e baixa capacidade regulatória, exigia que os países do Anexo I (desenvolvidos e signatários, grupo no qual a pátria de Obama não entra), em média, cortassem 5,2% do lançamento de carbono de 1990 até 2012. A atual proposta norte-americana diminuiria em apenas 4% o volume total de GEEs lançado na temporada usada como padrão para o único acordo global ratificado até o momento.

Com menos de 48 horas para a chegada dos líderes mundiais e chefes de Estado de 115 nações– que, em teoria, não entrariam nas negociações e apenas posariam sorridentes para fotos históricas – um novo documento foi apresentado. Nele, todas as indecisões possíveis, além de retrocessos surpreendentes, como se o REDD poderia ser aplicado apenas a projetos nacionais, ou também regionais, e se a conversão de florestas nativas serviria como crédito. Além disso, não há segurança de como serão as estratégias financeiras para mitigação e adaptação, ou o valor deste montante. Sequer o número exato da redução nas emissões em longo prazo foi estipulado. Ou seja, pior que isso, fica complicado.

Nesta quarta-feira, a então presidente da Conferência, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo após ser acusada de fazer reuniões particulares e negociações às escuras. Em seu lugar, assumiu Lars Rasmunssen, primeiro-ministro dinamarquês. Já hoje (quinta-feira) pela manhã, representantes dos três grupos de discussão (ricos, grandes em desenvolvimento e pequenas ilhas) disseram ter desistido de chegar a um acordo substancial.

Há a expectativa de que, das mesas e canetas reunidas em Copenhague, só saia no papel um atestado de que a decisão para combater as mudanças climáticas com rigidez foi postergada. A se considerar o número de jornalistas credenciadas e o de manifestantes de todos os cantos do planeta, a opinião pública deve pressionar os governos locais a terem posições mais firmes. Se existe uma ótima notícia em toda a história, é que a pauta climática entrou de vez nos alicerces da sociedade. Desta vez, para ficar.

*Este artigo foi escrito com base em reportagens publicadas no O Eco, O Globo e The Guardian.

Veja mais:

O Eco
http://www.oeco.com.br/copenhague

Guardian
http://www.guardian.co.uk/environment

O Globo
http://oglobo.globo.com/ciencia/

Foto: Patrícia Sierra

 


 


 



1 Comentário »

  1. Nicolas Gomez — 18 de dezembro de 2009 @ 15:33

    Felipinho parabéns pelo teu artigo muito bem escrito e com fontes muito bem escolhidas. Continue assim e procure mais fontes pra que seja um site super globalizado e atual…
    Mas importante que criticar é passar a informação de uma maneira completa e que leve em conta muitos pontos de vista diferentes.
    abção nico

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