
Bernardo de Sá – Publicitário
Comecei a surfar com 15 anos, mas gostaria mesmo de ter iniciado no esporte com menos de dez! O fato é que tinha medo de mar – um agravante bastante considerável se você pensa em se aventurar nas ondas. Com o passar dos anos, vendo várias matérias de caras muito loucos pegando altas ondas, fui, subconscientemente, sendo tomado por aquela sensação de êxtase inexplicável que via nos olhares de quem estava lá, surfando. A partir daí, meio esqueci gradativamente daquele temor inicial que me impediu de penetrar nesse mundo mais cedo. Como não tinha amigos que surfassem e viessem a me ensinar alguma coisa que me privasse de uma morte por afogamento (risos), decidi entrar em uma escolinha de surfe. Então, toda terça e quinta, eu (morador de Botafogo) ia pra Barra da Tijuca encarar o frio e o mar revolto do inverno. Foi lá pela segunda semana – quando o mar se acalmou – que entrei pela primeira vez com um funboard e peguei minhas primeiras onze ondas! O que senti foi suficientemente forte para me fazer continuar até hoje (9 anos depois) e abdicar de muitas coisas que passaram a ser irrelevantes perto daquela sensação. No surfe cada dia é um aprendizado diferente, e a humildade perante as forças da natureza te faz construir um caráter diferente de quem acha que bens materiais são o que fazem uma pessoa melhor. O surfe também te faz olhar mais o mundo aí fora e, depois de surfar todos os picos de onde você mora, começa a surgir um desejo incessante de pôr o pé na estrada e ir atrás daqueles lugares que só aparecem nos filmes e nas revistas. Foi quando eu vi que precisava trabalhar. Juntei todo dinheiro que ganhava para fazer a primeira surf trip! Consegui conhecer lugares como o Peru e Nicarágua, e posso dizer que valeu a pena deixar de ir para algumas noitadas e comprar um relógio ou uma roupa da moda. Hoje continuo na busca de novas viagens e ondas diferentes. Para terminar gostaria de escrever umas palavras àquelas que vivem sonhando em surfar: a principal combustível é ter MUITA VONTADE (aliás, como qualquer outra coisa na vida), porque muitas vezes você vai deixar sua cama quentinha cedo na madruga. Afinal, só aproveitando cada tempo livre que tiver para conseguir chegar num nível em que as vacas sejam menos frequentes do que as ondas surfadas.

Fotos: Arquivo pessoal




Valentina — 23 de setembro de 2009 @ 21:08
Que foto é essa???? pelo amor de Deus!!!!! Jesus