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As ondas de Duke

Felipe Lobo, 15 de setembro de 2009.

Por Felipe Lobo 

As ondas estão por toda parte: Costa Rica, Brasil, Estados Unidos, França, Austrália, Indonésia, México, Bora Bora. Apesar das culturas, hábitos e nacionalidades absolutamente diferentes, os surfistas têm mais em comum entre si do que apenas o amor pelo esporte. Trata-se de um havaiano nascido em 1890 e que atendia por um curioso e divertido nome – Duke Paoa Kahanamoku. Em grande parte, é por causa dele que os viciados em aventura e natureza espalhados pelos cinco continentes saem de suas casas para ganhar o mundo com uma prancha debaixo dos braços. 

Aos vinte e dois anos, Duke chegou à Suécia para mudar a história. O ano era 1912 e o país estava pronto para sediar os Jogos Olímpicos, maior evento esportivo do planeta. Natural da ilha de Oahu, ele ganhou a medalha de ouro na natação e escreveu, para sempre, o nome do então desconhecido arquipélago nos mapas e roteiros de viagens dos amantes de tubos e formações perfeitas. Mas, para ele, isso não bastava. Queria mesmo era mostrar ao mundo o prazer que sentia ao deslizar sobre as ondas. Conseguiu. E como.

Hoje, uma legião de crianças, jovens, pais e idosos têm o surfe como estilo de vida, algo parecido com uma terapia natural. Alguns o escolheram como profissão, enquanto outros apenas gostam de observar o ritual à beira-mar exercido pelos praticantes antes de entrar na água. De certa forma, uma vez que a prancha te pega, não larga mais. E essa magia vem de anos, centenas deles. Se Duke foi o pioneiro do surfe moderno, a sua essência data do século XVIII.

James Cook, navegador inglês, descobriu o arquipélago do Havaí para o mundo em 1778. Sorte a dele – é impossível imaginar o sorriso no rosto do rapaz ao pousar os olhos naquele paraíso pela primeira vez. Ao chegar, viu diversos surfistas descendo as perigosas e perfeitas ondulações das ilhas e se encantou pelo esporte. Decido a praticá-lo com as pranchas de madeira da época, foi aos poucos desistindo da ideia graças à pressão exercida pelas igrejas protestantes, que não aceitavam o exercício.

Diz a lenda que, antes de Cook, o rei polinésio Tahito desembarcou no Havaí depois de surfar todas as ondas de sua ilha original. Mas a verdade é que, se Kahanamoku não houvesse enchido os pulmões para dizer aos ventos que o mar de sua Waikiki era perfeito e quebrado os paradigmas de seu tempo, é possível que o grande Kelly Slater fosse hoje apenas um corretor de imóveis na Flórida.

Por isso, meus amigos, prancha nos pés e excelentes ondas.

Foto: IZ Fotos – www.izfotos.com

 


 


 



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