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Somos tão fracos quanto a carne?

Giovana Chichito, 15 de outubro de 2008.

Não sei se alguns de vocês já tiveram a chance de assistir ao documentário “A Carne é Fraca”, de 2005, dirigido por Denise Gonçalves e produzido pelo Instituto Nina Rosa. Na primeira vez em que assisti, fiquei bastante chocada pelas imagens. Não que eu já não soubesse a crueldade com que a maioria dos animais encaminhados para o abate são tratados, mas sabe aquela velha frase “uma imagem vale mais do que mil palavras”? Então, ela se encaixava perfeitamente neste caso.

Resumo da ópera: fiquei uma semana sem comer carne. Logo eu, que moro numa casa cercada por verdadeiros adoradores de churrascaria no dia de domingo. Eu, particularmente, nunca fui uma apaixonada pela carne bovina, mas ela sempre esteve presente na minha mesa e, como eu sou bastante boa de garfo, nunca fui de recusar.

Aliás, outro dia eu estava vendo um programa bem legal no canal GNT, chamado “Um Mundo pra Chamar de Seu” (que, aliás, recomendo). Neste episódio específico a apresentadora Rosana Jatobá entrevistou um especialista em comida orgânica que dizia que a carne só começou a figurar como protagonista das refeições a partir da Segunda Guerra Mundial. Antes, ela só aparecia na culinária nos finais de semana, e os pratos contavam com muito mais vegetais e folhas. Curioso, não é? Afinal de contas, hoje é de se estranhar se a maioria de nós não vê uma carninha ou um franguinho na hora do almoço.

Não me considero uma pessoa nem um pouco xiita em relação à comida; por isso, se alguém acha que este artigo é uma ode ao vegetarianismo, fique calmo! O fato é que alguns dados interessantes me chamaram atenção no documentário “A Carne é Fraca”, e eles diziam respeito a maneira como a pecuária exerce um impacto enorme no meio ambiente. Segundo o longa, que conta com a participação de técnicos ambientais, médicos, pediatras e jornalistas, a região amazônica tem sido seriamente prejudicada por esta atividade, que ocupa cada vez maiores extensões de terra e, por sua vez, causa desmatamento e poluição dos recursos hídricos.

O jornalista Washington Novaes conta que apenas em sete anos, a produção de carne mundial dobrou para 250 milhões de tonelada por ano! O consumo de carne, segundo João Meirelles Filho, do Instituto Peabiru, foi o principal responsável pelo desmatamento da Mata Atlântica, da Caatinga e do Serrado, e agora está em vias de devastar também a Amazônia.

A poluição da nossa água também tem muitíssimo que ver com os dejetos dos bois, aves e porcos e com os hormônios usados na sua criação, que são despejados pelos pecuaristas nos rios, infiltrando nos lençóis freáticos e afetando a saúde de milhões de pessoas que consomem essa água diariamente.

Ou seja, se formos colocar na ponta do lápis os custos ambientais de tudo que está envolvido na atividade pecuária, a conta seria enorme. Só que o mais irônico é que este repasse obviamente não está sendo feito para o preço final da carne, que é relativamente barato se comparado a outros produtos alimentícios. Irônico também é perceber que a criação de gado é expressivamente maior em países subdesenvolvidos, como o Brasil, e que para não perder a sua importância no cenário exportador prefere baratear a sua carne e torná-la mais interessante para o consumidor estrangeiro.

Então será que ignorar o ônus e pensar somente no bônus é realmente a escolha mais sensata? Será que vale tudo em nome do desenvolvimento? Em vez de esperarmos pelas cenas do próximo capítulo – pode se revelar pior do que imaginamos – que tal colocarmos a mão na consciência e partirmos para a ação?

 


 


 



1 Comentário »

  1. Gil — 10 de novembro de 2009 @ 13:02

    Esse documentário, A Carne é Fraca, é um mar de mentiras, me espanta a quantidade de gente que acredita piamente nesses absurdos. Eu postei no meu blog alguns comentários sobre ele, pra quem tiver curiosidade:

    http://worldevolution.wordpress.com/2009/08/04/a-carne-e-fraca/

    Abraços

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