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Oikos Entrevista – Guilherme Figueira

Felipe Lobo, 2 de outubro de 2008.

Nome de árvore centenária na linda e esquecida Ilha de Paquetá (Rio de Janeiro), a Maria Gorda começa a ganhar o Brasil. Ainda não tanto pelo baobá de 400 anos que vive silenciosamente na Praia dos Tamoios, mas graças à empresa carioca que lhe pediu emprestado o nome e a vocação de cuidar da natureza. Para entender a história da companhia, é preciso voltar no tempo, lá no ínício da década de 90. Foi nesta época que, em um colégio no bairro das Laranjeiras, Guilherme Figueira e Felipe se conheceram. Amizade feita, os dois se divertiam com o futebol, as festas e os finais de semana regados de praia.

Há alguns anos, esse conjunto de diversões ganhou um forte aliado: a vontade de montar um projeto de cunho ecológico. O combate às sacolas plásticas, um dos maiores vilões ambientais, surgiu à cabeça como a idéia definitiva, que ganhou forma quando os amigos conheceram Angela, engajada na luta e com boa mão para o artesanato. Junte-se vontade, experiência e um bom plano na cabeça e o resultado não poderia ser diferente: bolsas elegantes, feitas com 100% de algodão por cooperativas espalhadas no estado e algumas parcerias firmadas. Como diz Guilherme, “o maior objetivo da empresa não é vender ecobags, mas sim, um ideal”.

Agora, confira a entrevista com o diretor de comunicação da Maria Gorda na íntegra, logo abaixo:

Oikos Já!: Guilherme, como surgiu a idéia de criar a Maria Gorda? E qual a equipe?

Guilherme Figueira: De uns anos pra cá, eu e Felipe, meu amigo de colégio, estávamos querendo montar um projeto ambiental, e acabamos decidindo por combater o saco plástico. Foi quando conhecemos a Angela, que, além de ser engajada na luta verde, ainda fazia bolsas por hobby. Era a peça que faltava para a Maria Gorda nascer. Hoje, além de nós três, temos um estagiário. Sem contar nossa equipe terceirizada de costureiras, silcadores, portadores. Aí somos mais de 20 pessoas.

Oikos Já!: Qual é, de forma resumida, o maior objetivo da empresa? Em qual estágio do processo vocês estão neste momento?

Guilherme Figueira: O maior objetivo da empresa não é vender ecobags, mas sim, um ideal. Queremos acabar com essa cultura de levar tudo num saco plástico. Hoje estamos trabalhando com quatro cooperativas de costureiras (em Paquetá, Irajá, Nova Iguaçu e São Cristóvão) e já ultrapassamos a marca de mil bolsas vendidas. Agora estamos num período de expansão de pontos-de-vendas e das áreas de produção.

Oikos Já!: Uma das principais características da Maria Gorda é a qualidade de sua confecção. Para isso, vocês contam com a Teia Gorda, formada por cooperativas de costureiras espalhadas por comunidades carentes. Você já nota reflexos desse trabalho nas senhoras que produzem as bolsas? Ou seja, há um significativo aumento na qualidade de vida dessas pessoas?

Guilherme Figueira: Certamente. Um de nossos grandes desafios é estar com uma produção constante em todas as cooperativas, pois sabemos a importantância desse trabalho para elas. Além disso, fazemos um trabalho de capacitação. Não tem essa de “o trabalhode tal cooperativa não é bom, vamos procurar outra”. Se não está legal, vamos treiná-las até ficar perfeito.

Oikos Já!: Uma das cooperativas fica em Paquetá. Ilha pouco explorada pelos cariocas, a região já foi palco de um dos maiores exemplos de biodiversidade e exuberância da natureza do estado. Como vocês, da Maria Gorda, vêem o contato mais intenso (em comparação com outros moradores do Rio de Janeiro) com a área hoje bastante degradada? Qual o recado para quem ainda não conhece a ilha?

Guilherme Figueira: Olha, temos um carinho especial por Paquetá. Foi lá que começou a nossa produção e, inclusive, o nome da empresa é inspirado numa árvore famosa de lá, um baobá de 400 anos, gigantesco. Quando fomos visitar a ilha, ficamos chocados. Eu não ia lá há 10 anos e a poluição me assustou. Aquilo lá era pra ser um ponto turístico. Lá é um exemplo de costureiras que pegamos crus, mas que se dedicaram muito, e hoje estão produzindo em altíssima qualidade. E isso é recompensante demais. No futuro, queremos levar outros projetos para a ilha, como alguma coisa ligada à educação ambiental. Já fizemos até contato com a diretora da escola pública de lá. O recado é justamente esse: visitem, conheçam e, se possível, ajudem a recuperar Paquetá.

Oikos Já!: O site da empresa ressalta as qualidades da bolsa – como as quatro alças, as possibilidades de lavagem e o seu tecido maleável, que favorece a dobra. Qual o público-alvo da Maria Gorda?

Guilherme Figueira: Nosso grande desafio é querer tirar de circulação um produto que é grátis. Ou seja, as pessoas têm que pagar por uma ecobag, enquanto recebem sacolas plásticas gratuitamente e na quantidade que quiserem. Por isso, procuramos fazer um produto diferente, prático, bonito, com um design diferente e dobrável, para que as pessoas não esquecessem nunca de levar a sua Maria Gorda. O público-alvo eu definiria como todos que querem mudar o meio ambiente. Estamos, inclusive, lançando a Maria Gordinha, um modelo mais simples e barato de bolsa, para que todas as classes possam ter acesso.

Oikos Já!: As sacolas plásticas são, de fato, um dos maiores vilões da crise ambiental. Além do longo processo de decomposição, ajudam a assorear rios e degradar solos. A Maria Gorda é ainda recente, mas quais os resultados que você já consegue citar como exemplos de sustentabilidade promovidos pela empresa?

Guilherme Figueira: Olha, o grande resultado é o ótimo volume de vendas que estamos tendo. Com apenas 10 meses de vida, já estamos em 8 pontos-de-venda e fizemos parcerias com grandes instituições, como Petrobras e UERJ, dentre outras. E pra cada bolsa vendida, ajudamos o meio ambiente e nossas costureiras. E vem mais por aí.

Oikos Já!: Há expectativas de ampliar o negócio para o exterior?

Guilherme Figueira: Já estamos em negociações com possíveis parceiros para levar a Maria Gorda para o país todo – embora pelo nosso site, ela já possa ser comprada de qualquer região do Brasil – e também para o exterior. Em breve, espero anunciar novidades.

Oikos Já!: Quem ainda não conhece a empresa e gostaria de se informar melhor sobre os produtos, o que deve fazer?

Guilherme Figueira: A melhor maneira é através do nosso site, www.mariagorda.com.br. Lá tem informações sobre os produtos, quem produz, onde e como comprar e sobre a possibilidade de personalizar a Maria Gorda. Quem quiser, também pode me enviar um e-mail para guilherme@mariagorda.com.br.

 


 


 



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