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O papel vital das florestas

Felipe Lobo, 15 de outubro de 2008.

As duas últimas semanas vão entrar para a história do planeta. Esta constatação se deve, basicamente, em virtude do acréscimo na crise econômica que afeta as bolsas de valores de todo o planeta e modifica as estruturas do capitalismo. Mas não é só. Entre os dias 5 e 14 de outubro, a cosmopolita Barcelona (Espanha) foi sede do Congresso Mundial de Conservação, capitaneado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Durante o encontro, responsável por agregar oito mil líderes políticos e membros da sociedade civil de todos os cantos do globo, diversos assuntos referentes ao meio ambiente foram discutidos: infelizmente, não há o que comemorar.

Uma das notícias mais alarmantes diz respeito ao incontrolável impacto humano nos mares. Isso significa, em outras palavras, que a destruição, poluição e sobre-pesca nos oceanos contribuíram para o fim de alguns ecossistemas marinhos – seja em função do desaparecimento de animais no topo da cadeia alimentar, ou no piso dela. Esses locais, portanto, perderam a capacidade de se regenerar e desenvolver, novamente, uma biodiversidade parecida com a encontrada em outras épocas. Segundo a Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), 80% da produção pesqueira de todo o mundo é feita a partir da exploração marginal dos recursos naturais.

Mesmo assim, o evento foi produtivo. Os três maiores objetivos, antes de Barcelona dar a partida aos trabalhos, eram os seguintes: como lidar com a mudança climática; como ambientes saudáveis contribuem para comunidades e economias também saudáveis; como resguardar a diversidade da vida em todas as formas. Não foi fácil encontrar respostas, é verdade. Mas, pelo que se viu, o caminho para as mesmas se torna cada vez mais tortuoso e imprevisível.

No último dia 8, no entanto, um acordo chamou a atenção da mídia especializada e dos representantes de todos os países presentes: foram firmados cinco princípios para as negociações sobre o aquecimento global. Neste caso, um consenso deu estofo às propostas – para alcançar as metas, é preciso atribuir a necessária importância para as florestas de pé. A partir de agora, todas as conversas sobre o tema deverão seguir o guia recomendado na Espanha.

A decisão partiu da Iniciativa de Diálogos Florestais, um grupo formado por 250 representantes de governos, empresas, grupos sociais e ambientais, organizações internacionais, indígenas, entre outros. Nos últimos dez meses, encontros entre os participantes negociavam o plano de ação, mas apenas agora o pacto foi, enfim, sacramentado. De acordo com o relatório “Beyond REDD: The Role of Forests in Climate Change”, o manejo sustentável da vegetação deve ser uma das maiores prioridades do mundo nos próximos anos.

“Pela primeira vez nesta escala sem precedente, líderes florestais, negociadores, doadores e grupos comunitários não apenas concordaram acerca do papel central que as florestas podem exercer na mitigação das mudanças climáticas, mas também mapearam um plano de ação para concretizar próximos passos. Nós agora pedimos ao mundo para trabalhar conosco colocando este guia de princípios em prática”, disse Steawart Maginnis, chefe do programa de Conservação Florestal da IUCN.

O acordo definiu, além disso, que os direitos sobre os recursos das vegetações (especialmente aqueles das comunidades que vivem dentro dela) precisam ficar claros para todos. Deste modo, o manejo florestal pode ficar mais transparente. “Nós vivemos em um momento de definição, onde o bem-estar de nossa Terra está em suspenso, nossa economia vive um tumulto e bilhões de pessoas estão ameaçadas. Este é o momento das mudanças climáticas”, afirmou o Sr. Abdon Nababan, Secretário-Geral da Aliança das Tribos Indígenas da Indonésia.

Depois da apresentação de seus resultados, o Diálogo Florestal se colocou à disposição para trabalhar em parceria com os setores públicos e privados na formulação das políticas que deverão esclarecer os serviços vitais prestados naturalmente pelas árvores intocadas.

 


 


 



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