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Alternativas de mitigação

Felipe Lobo, 2 de outubro de 2008.

Nota da redação: Na última semana, o Oikos Já! publicou um artigo do engenheiro da Coppe-UFRJ, Roberto Schaeffer, sobre as causas do aquecimento global e suas formas. Agora, para encerrar este assunto da melhor forma possível, segue a continuação daquele texto: as alternativas de mitigação para as mudanças climáticas. Ou seja, o que fazer para reduzir o potencial de impacto futuro.

Quando se tira uma fotografia do ano de 2004, e se observam as emissões de gases de efeito estufa relativas por setor, nota-se que o segmento que mais contribuiu com emissões naquele ano foi o de oferta de energia (com 25,9% do total), seguido da indústria (19,4%), florestas (17,4%), agricultura (13,5%), transportes (13,1%), edificações residenciais e comerciais (7,9%), e de tratamento de água e de rejeitos sólidos (2,8%). Mantidas as tendências atuais, seja em termos de políticas de mitigação em curso, seja em termos de práticas relacionadas aos padrões de desenvolvimento dos países, as emissões globais de gases de efeito estufa continuarão a crescer nas próximas décadas, provavelmente na da faixa de 25-90% (no caso do CO2, esta faixa deverá ser da ordem de 45-100%) entre 2000 e 2030.

Apesar deste quadro relativamente negativo, estudos recentes indicam a existência de um grande potencial econômico de mitigação das emissões globais de gases de efeito estufa ao longo das próximas décadas, o qual pode vir a anular o crescimento projetado para as emissões globais, ou mesmo reduzir as emissões para níveis inferiores àqueles verificados atualmente.

Os potenciais existentes se distribuem por todos os setores da economia, sendo que, em alguns casos, os custos de se lhes apropriarem chegam a ser, inclusive, negativos, como é o caso de boa parte do potencial de uso mais eficiente da energia nas mais diferentes atividades.

Para se explorar os potenciais já mapeados, as seguintes tecnologias e práticas são dignas de menção por setor:

  • Oferta de energia: melhora na eficiência de oferta e de distribuição de energia; substituição de carvão por gás natural; maior uso de energias renováveis para geração elétrica e de calor de processo; aumento da participação da energia nuclear na matriz elétrica mundial (desde que questões relacionadas à segurança, proliferação de armamentos e destinação final de rejeitos radioativos sejam equacionadas) etc.
  • Transportes: uso de veículos mais eficientes; introdução de veículos híbridos; produção de veículos diesel mais limpos; maior uso de biocombustíveis; mudança de modais; aumento da eficiência no setor de aviação. Curiosamente, neste setor, mais do que em qualquer outro, co-benefícios existem em se lidar com problemas de tráfego, qualidade do ar e de segurança energética.
  • Edificações residenciais e comerciais: iluminação mais eficiente e maior uso de iluminação natural; uso de eletrodomésticos e de equipamentos de aquecimento e de resfriamento mais eficientes; uso de fogões mais eficientes, melhoria dos envelopes das construções.
  • Indústria: uso de equipamentos elétricos mais eficientes; maior recuperação de calor; reciclagem e substituição de materiais; controle de outras gases de efeito estufa além do CO2; melhoria de um vasto espectro de tecnologias específicas de processos.
  • Agricultura: melhor gestão da terra; espécies agrícolas melhoradas; seqüestro de carbono nos solos, com grande sinergia com uma agricultura mais sustentável.
  • Florestas: redução das emissões associadas a uma redução nas taxas de desmatamento, e aumento da remoção de carbono pela promoção do reflorestamento e do aflorestamento.
  • Resíduos: recuperação de metano em aterros sanitários; incineração de rejeitos; reciclagem e minimização de rejeitos; forte sinergia com o desenvolvimento sustentável.

Independentemente das escolhas que venham a ser feitas pela sociedade, no entanto, a busca pela estabilização da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera significa as emissões globais atingirem um pico e depois declinarem. Entretanto, quanto mais baixo for o nível de estabilização buscado pela humanidade, e como tal mais reduzida será a elevação média da temperatura global do planeta, mais urgente será o atingimento deste pico e o seu posterior declínio.

*Roberto Schaeffer é pós-doutor em Política e Manejo de Energia pela Universidade da Pensilvânia (EUA) e Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU e autor de um dos capítulos do Terceiro Relatório de Avaliação do IPCC.

 


 


 



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