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Triste cenário

Felipe Lobo, 15 de abril de 2008.

“Eu sou feito de água, eu sou feito de terra, eu sou feito de ar. Eu tenho a mesma proporção de água do planeta, eu verto lágrimas com o sabor dos oceanos, eu trago nas veias os minérios que jazem nas profundezas do solo. Eu sou água, eu sou terra, eu sou ar. Se a água está poluída, se o ar está contaminado e se a terra é infértil, eu pereço”

A disposição para falar sobre a crise ambiental pode e deve ser maior do que a atenção dispensada ao tema que percebemos hoje, em todos os parâmetros que se pode analisar. Muito embora a consciência sobre o meio ambiente e seus fundamentos práticos e indispensáveis (em primeira instância porque somos parte integrante dele) tenha adquirido proporções mais diretas no cotidiano de nossa sociedade, ainda percebem-se barreiras por ora intransponíveis na inserção de informações precisas e embasadas para a população. Uma observação criteriosa e objetiva sobre este fato aponta para diversas direções..

Para iniciar a análise sobre esta época em que a bandeira da preservação ambiental é parte fundamental das cartilhas de bom comportamento de empresas e tema constante nas discussões em Universidades e palestras ao redor do mundo, cabe voltar um pouco no tempo e percorrer as linhas de evolução da constatação do cenário preocupante deste início de século. Em consideração a esta proposta, torna-se importante que se abra um breve parêntese para lembrar que a crise ambiental de hoje é reflexo de inúmeros anos de práticas (antrópicas, em muitos casos) insustentáveis, conseqüência da incessante busca por lucros e capital.

Algo relevante são os níveis da concentração de gás carbono na atmosfera. Antes da revolução industrial, essas mesmas taxas estavam inteiramente dentro dos padrões considerados naturais e necessários para a manutenção da vida no planeta; após a revolução, fenômeno totalmente norteado pelas atitudes dos homens, estas taxas já ultrapassaram em 60% sua capacidade natural.

Muito embora antes deste período houvesse inúmeras causas para uma maior emissão de gases estufa, como ensejos naturais, por exemplo, tudo era restituído com o passar dos anos; o planeta possui a capacidade de resiliência, ou seja, a possibilidade de reestruturar um sistema após algum entrave natural. Isto significa que, naturalmente, novas árvores cresciam no lugar daquelas que sofreram os efeitos da combustão e, em conseqüência, seqüestravam o carbono em excesso anteriormente emitido. Com a ação do homem, no entanto, a taxa deste gás lançada na atmosfera está muito além daquela que a resiliência e o planeta poderiam suportar. A conseqüência é uma das piores que poderia haver: superaquecimento global.

O cenário torna-se, portanto, evidente. Impasse ambiental, discrepâncias na distribuição de renda, necessidade de refazer as contas econômicas. O primeiro e principal problema nesta discussão é a percepção direta de que, ainda hoje, as esferas econômicas, sociais e ambientais permanecem trabalhadas separadamente. Com isso, a visão holística não é exercida e apenas medidas paliativas são propostas e efetivamente realizadas. A análise do tema, no entanto, assume proporções intangíveis; neste sentido, a necessidade de tratá-lo com desenvoltura é expressa pelas mais variadas manifestações de calamidades ecológicas que são observadas cada vez com maior freqüência.

André Trigueiro

 


 


 



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