Curitiba, no Paraná, caminha a passos seguros em busca da sustentabilidade. Na cidade, todas as novas construções de prédios precisam, por lei, incorporar ao projeto de construção a captação, o armazenamento e a utilização da água da chuva para múltiplos usos, como a lavagem de carros. Além disso, os arquitetos e engenheiros devem criar sistemas para canalizar toda a água utilizada na máquina de lavar, chuveiros e banheiros dentro de cisternas, a fim de reutilizá-la na descarga.
O Rio Guandu, por sua vez, tem potencial para abastecer cerca de 80% da região Metropolitana do Rio de Janeiro. O problema é que utiliza dez vezes mais sulfato de alumínio para tornar a água bruta passível de consumo humano do que se fosse tecnicamente limpo. De acordo com dados da ONU, apenas 3% da água do Planeta são de água doce; destes, somente cerca de 0,65% pode ser considerado potável. Outras estimativas dão conta de que 40% do estimado potencial de perdas da rede de distribuição de água potável no Brasil é causado por falhas na manutenção do sistema.
Além de todos as falhas que já são conhecidos de grande parcela do público, como o péssimo uso doméstico, as precárias estruturas de captação e armazenamento, a pequena cultura de reutilização e a contaminação dos lençóis freáticos, há também outras formas de perdas dos recursos hídricos. O programa “Água: O Desafio do Século 21”, exibido pela GloboNews em maio de 2003, apresenta uma série de argumentos que enumeram o desperdício deste precioso bem pelo nosso país, através daquilo que é chamado de água virtual. O documentário jornalístico retrata a quantidade necessária de H20 para a produção de bens e agricultura:
- 1 tonelada de aço produzida no Brasil = 15 mil litros.
- 1 quilo de arroz = 1.500 litros.
- 1 quilo de pão = 1.000 litros.
- Montagem de 1 carro = 6.000 mil litros, em média.
Essa tabela mostra, basicamente, o preço que o Brasil paga com o intuito de ser o maior produtor de aço no mundo, assim como ter, em 2003, grandes recordes nas exportações de produtos agrícolas. Ainda que a pátria tupiniquim conte com a maior quantidade de água entre as nações dos cinco continentes, isso não nos dá o direito de crer ser este um produto infinito ou, por isso, permitir a sua contaminação – mas é isso que se está fazendo.
Para que se tente estabelecer um pertinente paralelo com a correta destinação dos recursos sólidos ,cabe fazer uma alusão interessante: como a maioria do lixo no Brasil não é tratado da forma que deveria, há a contaminação de mananciais por causa do chorume. Este é um grave problema e clama por uma imediata solução, uma vez que dois importantes pilares estruturais de uma sociedade (a água e o lixo) padecem um em causa e circunstância do outro.
A falta de água potável e contaminação dos recursos hídricos será um dos mais graves sensos de urgência do século 21, e a principal preocupação é não perder o controle de sua atribuição finita; caso contrário, este bem se tornará tão caro quanto ouro.
Algumas atitudes podem ser repensadas de modo individual, e devem também ser levadas em conta, uma vez que cada contribuição neste sentido será de grande valor. Fechar as torneiras na hora de escovar os dentes, tomar banho ou lavar louças são excelentes exemplos de esforços individuais; lavar carros com um balde d’água recolhida da chuva, sem torneiras, e varrer o chão em frente às portarias são boas ações coletivas.



