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Oikos Entrevista – Roberta Simões

Felipe Lobo, 15 de abril de 2008.
Na últimas semanas, o Oikos publicou com exclusividade as entrevistas dadas pelos Embaixadores do Clima escolhidos pelo British Council para representar o Brasil na Conferência do G8 + 5 em Kobe, no Japão.Além de estarem presentes no evento que abordará as mudanças climáticas no mundo, em maio deste ano, os três jovens – Laila Soares, Guilherme Pastore e Antonio Vogaciano – embarcaram rumo a Londres, em março. Junto com Embaixadores do Clima de outros 12 países, os nossos bravos representantes ajudaram a criar uma carta de intenções que será entregue às mais importantes autoridades que decidirão sobre o futuro do meio ambiente do planeta.

Para fechar esta série, o Oikos entrevistou a gerente do projeto de mudanças climáticas do Conselho Britânico, Roberta Simões. Ela falou, entre outros assuntos, da responsabilidade que recai sobre esses três embaixadores, escolhidos entre 600 pessoas que se inscreveram no projeto. Eles agirão como multiplicadores do conhecimento adquirido durante toda esta aventura, tarefa importante que irá contribuir para a sustentablidade do país e do mundo.

Oikos: Como surgiu a idéia da criação desse programa e como você espera que seja a repercussão não só para a mídia local, mas também para os jovens de um modo geral?

Roberta Simões: Dentro do “De Olho no Clima”, que é o projeto de mudanças climáticas do British Council no Brasil que visa aumentar o conhecimento e ação em relações às mudanças climáticas, a gente foca em alguns públicos. Entre eles, estão os jovens. Seguimos, como modelo, um programa que já existe no Reino Unido chamado International Climate Champions (Campeões do Clima) e adaptamos esse programa para a realidade brasileira. O programa Embaixadores do Clima tem dois módulos: o Módulo Internacional – em que jovens, além da paixão e do interesse pelo tema, da capacidade de liderança e de comunicação para multiplicar o tema, também são fluentes em inglês – para que eles possam representar o Brasil no exterior. Eles vão se encontrar com jovens de outros países que compõe o G8 + 5 (que inclui o Brasil) numa reunião preparatória em Londres, e depois vão, juntos, escrever uma carta de intenções dessa geração para o futuro do planeta que será apresentada aos ministros do meio ambiente num encontro internacional que acontecerá no Japão, em Kobe, em maio de 2008. Na outra vertente há o Módulo Escolas, que não tem o envolvimento do inglês. É um programa no Brasil para escolas públicas e privadas de três capitais brasileiras, — Rio de Janeiro, São Paulo e Recife — e a idéia é a mesma: engajar, aumentar o conhecimento e treinar os jovens nesse tema, mostrar como eles podem se posicionar como cidadãos dentro da sua família, da sua escola, da sua comunidade e como multiplicar esse assunto para outras pessoas. O objetivo é conseguir não só ter esse conhecimento, mas aumentar a ação construtiva, como a Laila Soares, o Antonio Vogaciano e o Guilherme Pastore falaram muito bem (os Embaixadores do Clima no Módulo Internacional). A gente precisa mudar os nossos padrões, os nossos valores, para que tenhamos um futuro sustentável.

Oikos: É por esse motivo que vocês escolheram os jovens para participar do projeto?

Simões: Exatamente. Uma das bases da educação ambiental e até do próprio ensino é que uma geração aprende com a outra. Então, se você trabalha com jovens de 14 a 18 anos, você está não só impactando o semelhante, o outro jovem que está próximo dele, como ele também consegue levar isso pra cima, para o seu professor, para os seus pais. Portanto, é fundamental que a juventude brasileira esteja engajada em projetos como este. Nós temos muitas causas no país e no mundo – as mudanças climáticas são apenas algumas delas -, falamos em muitas outras aqui: educação, direitos humanos, e outras, e por isso, o jovem precisa tomar para si a responsabilidade. Nós recebemos 600 inscrições para o programa internacional dos Embaixadores do Clima, jovens de 14, 15 anos se engajaram, gente muito nova, que já tinha uma trajetória ligada ao meio ambiente para contar. Então quem não pôde participar, quem não soube participar, fica um convite para que participem de alguma forma. Uma delas seria, por exemplo, entrando no nosso site (www.deolhonoclima.com.br), mandando a sua denúncia, o seu artigo, a sua foto, o seu vídeo. Teremos outras atividades ao longo de 2008 e 2009 para esse público. O importante é ter vontade de participar, pois tem muita coisa acontecendo nessa área.

Oikos: Que repercussão você acha que essa viagem e os conhecimentos que eles irão adquirir lá terão para o Brasil?

Simões: O Brasil está sendo muito observado. Há um crescente interesse pela parte de biocombustíveis. Não só a questão estratégica da Amazônia, biodiversidade, recursos, mas também a tecnologia que o país tem para oferecer em termos de biocombustíveis. Nós já temos uma matriz energética muito limpa – grande parte da nossa energia é gerada a partir de hidrelétricas – e temos projetos de etanol e outras fontes renováveis que podem ser passados para outros países que são desenvolvidos economicamente, mas que não são tão desenvolvidos nesse assunto como o Brasil. Acho que é um tema em que os Embaixadores do Clima serão muito bem treinados. Estamos trabalhando em parceria com o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, portanto temos consultores desse Fórum que estão criando conteúdo, material, para que eles saiam daqui muito bem preparados para representar o Brasil lá fora.

Oikos: O que esses três jovens podem esperar dessa viagem, desse encontro com outros jovens como eles, de outros países?

Simões: Eu já tive uma experiência internacional de conviver com outras culturas, então posso dizer por experiência própria. Além de fazer duas viagens ao exterior para países muito interessantes – Inglaterra e Japão -, eles vão estar em contato com jovens de outros 12 países, em Londres, durante uma semanas, e no Japão, durante nove dias, em uma integração intensa, em contato com pessoas de outras línguas, outras culturas, outras religiões, o que é uma coisa muito forte. Eles serão recebidos por autoridades em Londres, como o Hilary Benn, secretário de meio ambiente da Inglaterra, talvez pelo primeiro-ministro, ou seja, não vão brincar de fazer política. No Japão, eles vão realmente levar essa carta de intenção da geração deles para quem realmente decide pelo meio ambiente nos países, ou seja, vão ter a chance de estar em um encontro em que poderão levar a voz dos jovens para quem decide. Acho que isso abre os horizontes, abre a cabeça. O engraçado é que quando você volta de uma viagem em que houve uma troca cultural tão intensa, você retorna se sentindo ainda mais brasileiro, você percebe que o ser humano é muito parecido em todos os lugares do mundo, o que causa um impacto muito grande nos valores também.

Oikos: Sobre essa carta de intenções que eles escreveram. Explique isso um pouco: trata-se realmente de um texto do que eles esperam para o futuro?

Simões: Pois é, é um texto mesmo, um documento, um exercício que eles farão (já fizeram) juntos. Há uma consultoria que irá apoiá-los nessa organização, lá em Londres. Ao retornarem, eles irão testar esse documento na realidade dos seus países, entrando em contato com outras pessoas e outros jovens para ver se essa carta de intenções – que é um consenso de vários países – reflete a realidade do Brasil. Depois, irão apresentá-la no Japão, para todos os ministros. Ainda não sabemos de que forma esta carta será apresentada, se haverá um orador para ler na reunião, se a carta será impressa e entregue como documento formal para cada um dos ministros, ou se é uma reunião fechada com os jovens e os ministros. Sabemos que, com certeza, esta carta chegará às mãos dos decisores, dos líderes mundiais em meio ambiente, o que é uma oportunidade imperdível.

 


 


 



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