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Oikos entrevista – Antônio Vogaciano

Felipe Lobo, 7 de abril de 2008.

Na semana passada, o Oikos trouxe uma entrevista com a única menina vencedora do concurso que nomeou os Embaixadores do Clima no Brasil, Laila Soares. Antes dela, o estudante paulista Guilherme Pastore, outro membro do projeto, contou um pouco da sua trajetória, suas perspectivas acerca das mudanças climáticas e o que pensa sobre a iniciativa do British Council.

Antonio Vogaciano, nosso entrevistado desta semana, é mais um dos embaixadores do clima. Os três jovens foram selecionados para representar o país na Conferência do G8 + 5 sobre o meio ambiente, que será realizada em Kobe, no Japão. Ao todo, 39 jovens, entre 17 e 18 anos, foram eleitos os Climate Champions, e se reuniram por uma semana no final de março em Londres, capital da Inglaterra.

Lá, os Embaixadores do Clima desenvolveram três opções de propostas, dentre as quais uma será eleita a carta final de intenções que será apresentada aos ministros do meio ambiente em Kobe, no mês de maio. Clique aqui para votar na sua proposta favorita.


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Vogaciano tem 18 anos, nasceu em Fortaleza e cursa Administração de Empresas na Universidade Estadual e Ciências Econômicas na Federal do Ceará. Preocupado com a crítica situação social no semi-árido nordestino, área familiar para ele, Antonio é um apaixonado pelo meio ambiente. Dentre as diversas questões ligadas à área, ele afirma que as mudanças climáticas despertam bastante o seu interesse.

Oikos: Antônio, por favor, conte um pouco da sua história. Onde você nasceu e quando o meio ambiente começou a te chamar atenção?

Antonio Vogaciano: Eu nasci em Fortaleza mesmo, sempre estudei na cidade, a minha vida toda aconteceu lá. Eu estudei boa parte da vida em colégio religioso e depois, em 2001, entrei para o Colégio Militar de Fortaleza. Foi a partir daí que eu me engajei mais nessa causa ambiental. Fiz parte do Clube de Ciências, um grupo que reúne várias agremiações de alunos do colégio. Fui começando a fazer caminhadas ecológicas, fiz trabalhos em que a gente viu como estava sendo degradado o ambiente do Ceará. Depois, em 2006, sentindo a necessidade de me engajar mais na causa, me filiei ao World Wide Fund (WWF).

Oikos: Você contou que estuda Economia. Qual é a grande relação que você vê entre a Economia e o Meio Ambiente e como espera, na sua profissão, lidar com isso?

Antonio Vogaciano: O grande problema está nessa relação, eu acho. Para muita gente, são coisas que não dão certo, opostos, mas eu não vejo muito por aí. Prova disso é que em 2001, quando eu entrei para o Colégio Militar, a revista Veja publicou uma matéria dizendo que o Brasil, se explorasse a Amazônia de maneira correta, poderia tanto preservá-la quanto aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) em R$ 1 trilhão. Ou seja, é possível ter crescimento econômico e proteção ambiental. E outro problema: o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou no seu último relatório – no capitulo da América Latina – que só 19% das perdas com mudanças climáticas foram computadas para a região, e que esse valor já supera os US$ 20 bilhões. Portanto, mudança climática também significa prejuízo, prejuízo na agricultura, prejuízo para o governo que vai ter que, dependendo das várias situações, realocar as pessoas. Então, por mais que para muita gente sejam coisas antagônicas (Economia e Meio Ambiente), tem como dar certo e é para dar certo.

Oikos: Antonio, mesmo sendo tão jovem, você já participou de diversos programas de proteção ao meio ambiente e agora está aqui como um dos Embaixadores do Clima, um feito incrível – pouquíssimas pessoas da sua idade tem essa capacidade e essa chance. Como você vê a juventude de hoje em relação ao meio ambiente: seus amigos, as pessoas que estão perto de você?

Antonio Vogaciano: Acho que entra muito a questão da educação, do conhecimento. Muita gente, mesmo a juventude, não se engaja tanto, não tem uma atitude tão ativa quanto ao meio ambiente, porque não sabe da real gravidade do problema, porque não tem informação quanto a isso, não tem acesso às conseqüências, como isso pode afetá-las nas suas vidas. Se hoje já temos uma juventude mais ativa, se nos informássemos mais, através da educação, para sabermos mais sobre os problemas, as conseqüências, as causas, teríamos um exercito para trabalhar pelo meio ambiente.

Oikos: Agora você está com o passaporte carimbado para o Reio Unido e para o Japão, vai conhecer diversas pessoas diferentes, de culturas diferentes, encontrar com os principais estadistas e líderes ambientais, econômicos e políticos. Na sua volta a Fortaleza, como acha que será a vida daqui pra frente?

Antonio Vogaciano: Eu pretendo, com essas viagens, ver quais problemas ocorrem em outras partes do mundo, observar suas soluções e como isso pode ser implementado no Brasil. Quero conseguir mais ferramentas para transmitir esse conhecimento, ser mais ativo, mais eficiente ao transmití-lo, fazer com que mais pessoas entendam. Acho que é isso que eu quero trazer de volta, como experiência e bagagem dessas viagens.

Oikos: Vamos falar especificamente sobre a viagem para o Reino Unido, quando vocês escreverão uma carta de intenção da sua geração para os grandes políticos do mundo inteiro. Vocês encontrarão com jovens de 12 países diferentes, com pensamentos diferentes, mas com um interesse comum, que é cuidar da raça humana, do planeta. O que você espera desse encontro? Se você, Antonio, fosse escrever essa carta, como seria?

Antonio Vogaciano: Bem, como você disse, teremos vários outros embaixadores de outros países, e que encontram vários outras situações diferentes do Brasil. Cada um vai ter o seu interesse, mas é uma oportunidade de sentar, equacionar o problema e tentar achar uma solução para o bem comum, para a humanidade. Porque se trata de uma questão que transcende o Brasil, o Ceará, a União Européia, transcende tudo. Trata-se da humanidade, da vida. Eu, particularmente, queria deixar expressos os anseios, as vontades, expectativas. Não vai ser fácil, principalmente para sensibilizar as lideranças políticas – sabemos que hoje falta muita vontade política – mas dar a contribuição nisso também, que é um passo importante. O cidadão comum pode ajudar, e deve ajudar, nesse processo, em favor do meio ambiente, mas também os grandes países, os líderes, também precisam ver essas situações e saber que essas também são responsabilidades deles. É assim que eu vejo.

 

 


 



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