Depois que o meio ambiente entrou em voga – e é evocado nos locais e situações mais inimagináveis até pouco tempo – cada vez mais coisa tem aparecido na mídia sobre o tema. Nem sempre, é preciso ressaltar, com qualidade. A cobertura do assunto cresceu muito rápido e as redações ainda cambaleiam no seu tratamento, em meio a erros (constantes) e acertos. Quem acompanha o noticiário ambiental com alguma assiduidade nota fácil a diferença entre um texto bem embasado, com cuidados em relação a cada lado da história retratado, às fontes utilizadas e os princípios apregoados e um assim assim, feito nas coxas.
Na internet é possível encontrar muita coisa boa sobre o assunto. Mas ajuda saber os lugares certos para procurar a informação. E aqui vão algumas dicas para quem está começando a se interessar pelo tema:
Warning: ler em inglês pode tornar a sua vida muito mais fácil (e divertida). A maioria dos textos melhores e mais prazerosos só são encontrados nessa língua.
1- Os jornais impressos brasileiros são um bocado inconstantes em suas seções de ciência e meio ambiente (as duas coisas costumam se confundir bastante). Alternam reportagens próprias com notícias de agências de notícias nem sempre bem traduzidas. Folha e Estadão costumam trazer coisas legais vez ou outra. E o Valor Econômico, apesar do ponto de vista… ahn… econômico, em geral quando escreve sobre meio ambiente também o faz muito bem (principalmente ao tratar de agricultura, mercados verdes e assuntos afim).
Obs: O Globo é uma absoluta negação quando o assunto é m. a.; convém duvidar de três a cada quatro palavras ecológicas impressas em suas folhas.
Um problema em relação a esses jornais é que tudo fica meio diluído, saindo a cada dia uma coisinha pequena, às vezes uma coisa maior, e, com freqüência, nada; e você provavelmente não vai folhear todos os jornais (ou navegar por eles) todos os dias à procura de algo. Um outro problema ainda maior é a mania dos veículos brasileiros de cobrar para terem o conteúdo impresso lido na internet. E o pior de tudo, as versões online não são das mais confiáveis. É tudo um mufuá só de notícias pouco confiáveis e mal editadas de agências de notícias.
2 – As coisas boas em português estão em três ou quatro cliques bem dados do mouse. Começa pelo O Eco, site especializado no assunto e talvez o único que publica apenas conteúdo próprio (é o único que eu conheço, pelo menos). As reportagens, colunas e notas se destacam pela qualidade textual e editorial, aliadas a um bom conhecimento de causa sobre conservação e temas conexos. É disparado o melhor veículo da internet brasileira sobre o assunto (e não é porque eu já trabalhei lá que digo isso).
Mas não é o único. O site do Instituto Sócio-ambiental faz um clipping interessante das notícias que saem diariamente sobre o tema (com ênfase na questão indígena), além de também publicar textos próprios em geral muito bem feitos. Exclusivamente sobre a região amazônica, o Amazonia.org também republica as notícias do dia, junto com (bons) textos próprios. O Ambiente Brasil é outro que cata bastante coisa em outros veículos, concentrando tudo em sua página.
3 – Em outras línguas, um mundo inteiro de novidades se abre. O jornal The New York Times tem algumas das melhores reportagens já feitas sobre o meio ambiente. Assim como os ingleses The Independent e Guardian. Também o Los Angeles Times, o The Wall Street Journal (pago) e o francês Le Monde costumam ser boas fontes de informação. Dos especializados, são excelentes a revista Grist e o blog TreeHugger. A Grist tem um estilo de texto divertidíssimo, que não perde a oportunidade de fazer piada com qualquer um dos mais escabrosos temas ambientais. E no TreeHugger é postada todos os dias uma quantidade enorme de notícias de todo o mundo, também num formato ágil e divertido. O WorldChanging é outra boa dica. Por outro lado, o site Planet Ark, que reúne as notícias da agência Reuters sobre o assunto, é ponto de partida essencial para qualquer pesquisa.
Bom, há links suficientes por aqui para um bom tempo de exploração virtual do tema. Quem se aventurar por eles terá a oportunidade de ler sobre a natureza de uma maneira geral, mas também sobre tragédias ambientais, poluição, mundo animal (e vegetal), conservação, consumo consciente, política ambiental, iniciativas interessantes, pesquisa científica e, como não poderia deixar de ser nesses tempos, sobre o famigerado aquecimento global. Bom proveito.
*Eric Macedo é jornalista formado pela UFRJ e aluno do curso de ciências sociais na UFF. Foi repórter do site O Eco durante um ano e meio.



