Outro dia acordei preocupada. A primeira imagem que conseguia me recordar do sonho que tive foi a seguinte: eu estava em uma floresta, rodeada por muito verde (pelo menos isso!), mas não conseguia nem ouvir o som dos pássaros nem de outros animais que deveriam viver ali. Confesso que essa sensação foi bem desesperadora: afinal, onde estariam essas espécies? Sumiram? Fugiram? Foram extintas? Essas perguntas me levaram a uma dúvida triste, porém pertinente: será que, dentro de alguns anos, as próximas gerações não terão a oportunidade de ouvir sons de animais que ouvimos agora? O mesmo se aplica à beleza da flora, que segue sendo destruída e, provavelmente, não mais poderemos admirar. Muito em breve.
Segundo informações da Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN (União Mundial para Natureza), um em cada quatro mamíferos, uma em cada oito aves, um em cada três anfíbios e 70% de todas as plantas avaliadas pela instituição em 2007, estão em risco. Isso é muito sério. De acordo com Holly Dublin, presidente da Comissão de Sobrevivência das Espécies da IUCN, “Redes de conservação dedicadas à luta contra a crise da extinção estão trabalhando de maneira efetiva. Porém, é preciso muito mais ajuda, já que os ambientalistas não conseguem fazer tudo sozinhos. (…) Esse desafio requer ações do público em geral, do setor privado, dos governos e dos políticos para assegurar que a biodiversidade global se mantenha intacta pelas próximas gerações”.
Na minha época de colégio, eu tive a chance de acampar em diversas regiões graças a um programa que havia na minha escola. Para que ganhássemos uma espécie de medalha de honra ao mérito tínhamos que executar uma série de tarefas, entre elas realizar viagens de aventura – o que incluía andar por horas e, geralmente, comer bastante miojo, alimento fácil de preparar. Fui a Mauá (o nosso camping ficava no cume de uma montanha e fazia muuuuitoo frio), fiz a travessia entre Petrópolis e Teresópolis (foi a minha primeira – e única – experiência na arte de fazer xixi dentro um saquinho, pois chovia torrencialmente fora da barraca), e acampei na bela Ilha Grande. Tudo isso para dizer que, talvez, tudo que eu vi e que está guardado na minha memória em forma de bons momentos do passado, toda a exuberância da natureza, pode se perder.
Será que isso tudo é exagero? Pela primeira vez, neste ano, essa mesma Lista Vermelha incluiu corais oceânicos em seu relatório de vida selvagem em extinção. As mudanças climáticas e a pesca predatória estão entre as principais ameaças à vida marinha. Ou seja, para os céticos que acreditam que a natureza é capaz de se auto-regenerar totalmente, que a influência humana em nada tem a ver com a degradação do planeta, sugiro pensar mais uma vez. Gostaria de poder levar os meus futuros filhos aos mesmos lugares aonde eu fui, gostaria que tivessem o mesmo apreço que eu tenho pelo meio ambiente, e é por isso que eu convido os leitores a refletir mais e agir mais… para que todos possam fazer o mesmo.



